O que há depois do abismo?

 


Eu estou diante de uma ponte de madeira que balança insegura sobre um abismo. O final da ponte não se vê, muito menos o que está do outro lado. Onde eu estou é seguro. Atrás de mim estão todos aqueles que dependem ou cobram de mim seja o que for, mas que, principalmente, não querem que eu atravesse a ponte. Contudo, para eu atravessá-la, são me impostas três condições: colocar duas pesadas asas sobre as costas, não levar ninguém comigo na travessia e cortar as cordas que sustentam a ponte quando chegar ao outro lado, para que ninguém me siga
.

Por que o que está do outro lado só pertence a mim.

 

Porém não é fácil pagar tão caro para ver o que há depois do abismo.

 

Eu tenho as asas que, apesar de asas, são pesadas. Eu tenho uma ponte que não sei onde vai dar e tenho a culpa espremida, junto com as minhas coisas, pesando dentro da bolsa.

 

Preciso deixar as asas e levar alguém comigo na travessia, porque eu quero atravessar a ponte e quero ir pra tão longe que só  preciso que esse alguém me alcance, e mais ninguém.


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